No final de 1908, uma
família tradicional de Neves, perto de Niterói, foi apanhada de surpresa pôr
fatos considerados sobrenaturais: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, na época
com 17 anos (nasceu em abril de 1891), se preparava para ingressar na Marinha
como aluno oficial, quando começou a sofrer estranhos “ataques”. Esse mal estar
físico e psíquico era caracterizado pôr posturas de um velho, falando coisas desconexas,
como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época, ou ainda assumindo
uma forma física que lembrava um felino lépido e desembaraçado que parecia
conhecer todos os segredos da natureza. Como este estado de coisas foi se
agravando, a família recorreu ao Sr. Epaminondas de Moraes, médico da família e
tio de Zélio que era diretor do hospício de Vargem Grande.
Após encaminhá-lo e
observá-lo durante vários dias, o reencaminhou a família, dizendo que a loucura
não se enquadrava em nada do que ele havia conhecido, ponderando ainda, que
melhor seria encaminhá-lo a um padre, pois o garoto mais parecia estar “endemoniado”.
Como acontecia com quase todas as famílias importantes da época, também havia
na família Moraes um sacerdote católico. Através desse padre, tio de Zélio, foi
realizado um exorcismo, sem o sucesso esperado, pois os chamados ataques
prosseguiam, apesar de tudo.
Depois de algum tempo,
Zélio passou alguns dias com uma espécie de paralisia, quando de repente, levantou-se
e sentiu-se completamente curado.
Alguém sugeriu que isto era
coisa do espiritismo e que era melhor levá-lo à Federação espírita de Niterói,
município vizinho àquele.
Zélio foi convidado a
participar da sessão e José de Souza determinou que ele tomasse lugar à mesa. Tomado
pôr uma força estranha à sua vontade, Zélio levantou-se e disse: Aqui está
faltando uma flor. Saiu da sala indo ao jardim e voltando logo após com uma
flor, que colocou no centro da mesa. Esta atitude causou um enorme tumulto
entre os presentes principalmente porque, ao mesmo tempo em que isso acontecia,
ocorreram surpreendentes manifestações de caboclos e preto-velhos.
O diretor da sessão achou
aquilo tudo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando-o “seu atraso espiritual”
e convidando-os a se retirarem.
Estava caracterizado o
racismo espiritual desde aquele instante até hoje.
Novamente uma força
estranha tomou o jovem Zélio e através dele um espírito falou - “porque
repeliam a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignavam a ouvir
suas mensagens, seria pôr causa de suas origens sociais e da cor?”.
Nisso, um vidente pediu que
a entidade se identificasse, já que fora notado que ela irradiava uma luz positiva.
A entidade respondeu “Se
querem um nome que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pôr que
para eu não haverá caminhos fechados”
O vidente interpelou a
entidade dizendo que ele se identificava como um caboclo, mas que via nele
restos de trajes sacerdotais. A entidade respondeu:
“O que você vê em mim, são
restos de uma existência anterior. Fui Padre e meu nome era Gabriel. Acusado de
bruxaria fui sacrificado na fogueira da inquisição em Lisboa em 1761. Mas em
uma de minhas existências, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um
caboclo brasileiro”. E ainda, usando o médium anunciou o tipo de missão que
trazia do Astral: fixar bases de um culto, no qual todos os espíritos afins
plasmados de caboclos e preto-velhos poderiam executar as determinações do
plano espiritual.
Mas voltemos a séculos
passados, muitos povos já praticavam cultos rituais com espíritos e doutrinas parecidas
com a nossa.
Os índios já faziam no
início do século XV, os cultos à natureza, os rituais ao fogo, às águas, aos trovões,
etc. já usavam de benzeduras, remédios à base de ervas, e rituais aos mortos. Os
pajés eram considerados feiticeiros da época, pois trabalhavam com pura magia. Os
índios davam e dão até hoje muito valor a tudo que vem do Deus Tupã, ao Sol, a
Lua, ao Céu, as estrelas aos rios, trovões, enfim são verdadeiros louvadores
dos tronos divinos, mas como outra espécie de religião.
Depois vieram os negros,
com seus cultos aos Orixás, com suas mandingas e costumes, que também já louvavam
a Deus Olorum a mais ou menos uns dois séculos atrás.
Então de um modo de vista,
a Umbanda, já vem sendo praticada há muitos séculos atrás com outros nomes, de
acordo com o povo e sua aceitação.
O advento do caboclo das
sete encruzilhadas foi apenas um marco oficial da Umbanda ou um marco oficioso.

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